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PARÓQUIA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

PARÓQUIA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO

- um breve histórico –

Por: Florisvaldo Cerqueira Pinheiro

1.1 Século XVIII – Como tudo começou

Historicamente, a cidade de Poções possui como inicio de sua história, o marco dos anos finais do Século XVIII, com a chegada da família Gonçalves da Costa na região. João Gonçalves da Costa, patriarca da Família, havia chegado no sertão da ressaca em busca de melhores terras para o manejo do gado e por riquezas minerais , supostamente existentes na localidade. Ao descer o leito das corredeiras do Rio de Contas, muitas dificuldades foram enfrentadas fixando residência no Arraial da Vitória, atual cidade de Vitória da Conquista,  após dizimar a população indígena que vivia no sertão recém empossado. À partir de então, paulatinamente, os parentes de João Gonçalves da Costa, foram ocupando as regiões que circundavam a então Villa da Vitória. A “Villa dos Poções”, como descreve Tranquilino Torres (1898 ),

Foi primitivamente povoação creada por thimóteo Gonçalves da Costa, com seus filhos Bernardo e Roberto Gonçalves da Costa, depois da conquista dos índios pelo capitão-mor João Gonçalves da Costa e seus filhos ( TORRES 1898, pg. 88)

1.2 Capela de Nossa Senhora da Lapinha

Para Sousa e Alves (2002), Thimóteo e seus filhos fixaram residência às margens do Rio São José que , atualmente, divide a cidade ao meio, estando localizadas próximas do referido rio as construções mais antigas da cidade como a Capela de Nossa Senhora da Lapinha  e a “Igrejinha do Divino”. A Capela de Nossa Senhora da Lapinha, construída em 1792 pelo capitão Thimóteo Gonçalves da Costa, representa o primeiro indicio de desenvolvimento do catolicismo do então povoado. Em passagem pela região entre os anos 1815  e 1817, o príncipe Maximiliano, faz a seguinte observação:

Em breve achei-me no pequeno arraial de Poções, cujo vigário pareceu-me grande apreciador de bebidas fortes, pelo menos a julgar pelo estado de completa embriaguez. O lugar conta com uma dúzia de casas e uma capela feita de barro.

A devoção à Nossa Senhora da Lapinha, é explicitada em outros documentos, como o testamento de Manoel Gonçalves da Costa, onde este escreve “ o meo corpo será amortalhado em abito branco, e sepultado na Capela de Nossa Senhora da Lapinha (...) e acompanhado dos sacerdotes que se acharem presentes os quais ou o qual mi dirá uma Capela de Missas de corpo presente.(...) declaro que deixo cincoenta mil reis de esmola que já prometi para a obra do Divino Espírito Santo. Declaro que deicho vinte mil reis de esmola a Nossa Senhora da Lapinha (...).  Constata-se assim, a veneração não apenas ao Divino Espírito Santo, atual Titular da cidade, mas também ao culto à Nossa Senhora da Lapinha.

A presença do religioso descrita nos escritos do príncipe Maximiliano não significa a oficialização da presença de sacerdotes católicos na cidade, o religioso em destaque não representava figura presente na vida cotidiana dos moradores; possivelmente um missionário em passagem pela região, para celebrações de casamentos, batizados e demais sacramentos.

1.3 Devoção ao Divino Espírito Santo

No ano de 1830, Bernardo Gonçalves da Costa, faz doação das terras do arraial para  Divino Espírito Santo. Segundo o juiz Tranquilino Torres,

Após demorado pleito jurídico que teve de sustentar Bernardo Gonçalves da Costa com os fidalgos de Portugal, sobre as terras havida por compra ao capitão Bento Garcia Leal doou aquelle Timotheo meia légua de terreno em quadro por escriptura passada pelo padre Vicente d’Araújo Franco, sendo testemunhas José Joaquim Fragata em 3 de agosto de 1830, ao Divino Espírito Santo dos Poções para n’ella se edificara a casa de oração com essa invocação. ( TORRES apud SOUSA E ALVES , 2002)

Com a doação efetivada por Bernardo, utilizando o nome do seu pai Timótheo, o Divino Espírito Santo passa a ser figura corrente na Villa, tornando-se o Titular da futura província e responsável pela construção da nova Capela intitulada de Igrejinha do Divino Espírito Santo. Em 1830, José Joaquim dos Santos iniciava a construção da Igrejinha, graças aos donativos recebidos dos fiéis da zona urbana e rural, inclusive alguns deles já predestinados em testamentos. Foram conseguidos também, para a conclusão da Igrejinha 16 Kg de moedas de prata, sendo que 3 Kg foram destinados para confecção da Pomba do Divino

A devoção ao Divino Espírito Santo havia chegado no sertão da ressaca juntamente com os primeiros colonizadores, através da tradição trazida de Portugal e implantada em suas colônias. Em diversos documentos são encontrados registros da ligação da festa ao Divino com os colonizadores portugueses. No Diário Oficial, 18 e 19/05/2002 apud MORAES, consta o seguinte termo: “ Os colonizadores portugueses tem muito a ver com a festa, a partir do capitão Timóteo Gonçalves da Costa, responsável pela construção da lapinha do Divino Espírito Santo” .

A tradição oral diz que o Titular de Poções o Divino Espírito Santo, foi escolhido patrono porque durante a construção da Lapinha, uma nuvem de pombos a procura de um lugar para reproduzir, passou por cima das pessoas que ali estavam, obrigando-as a abaixarem-se. Isso teria sido interpretado pelas pessoas ali presentes como um sinal.

1.4 Com a chegada dos primeiros padres veio a Instituição da Freguesia do Divino Espírito Santo.

Registros encontrados no Fórum da cidade, apontam o Pe. Manoel Mendes da Costa, como primeiro padre a residir efetivamente na Villa, sendo figura extremamente presente no dia-a-dia dos moradores, à partir da década de 40 do século XIX. Segundo Sousa e Alves (2002),

O Padre Manoel Mendes da Costa, pessoa de grande influencia na vida cotidiana dos moradores; dado comprovado por sua participação como testemunha da lavratura do testamento de Manoel Gonçalves da Costa, assim como, em inventários, declaração de débito e outros. O mesmo faleceu em 1862 deixando a inventário uma quantidade considerável de bens, inclusive três escravos, bois cavalos, éguas, além de algumas propriedades rurais no entorno do arraial. ( SOUSA E ALVES 2002, pg. 49)

Doze anos após a morte do padre Manoel Mendes da Costa, seu provável sucessor Pe. Luiz França Santos, instaura a freguesia do Divino aos 16 de setembro de 1878, oficializando os Festejos do Divino Espírito Santo e adotando o novenário respeitado até hoje. A oficialização da freguesia constituiu requisito primordial para a emancipação política da cidade, efetivada dois anos após, datada de 1880.

As informações relativas ao período posterior à instituição da Paróquia do Divino, foram imensamente comprometidas devido à incêndio ocorrido nas dependências da paróquia nas primeiras décadas do século XX. Fato este notificado pelo Pe. Francisco Félix Pithon, sacerdote que ocupou o cargo deixado pelo Pe. Luiz França Santos . Registros à despeito da saída do Pe. Luiz , bem como da chegada do Pe. Pithon, não foram encontrados com precisão, devido o motivo exposto anteriormente.

Nascido aos 24 de fevereiro de 1857, o Pe. Francisco Félix Pithon, exerceu a função de pároco na cidade de Poções até seu falecimento datado de 21 de novembro de 1951. Sua administração foi marcada por conflitos em torno do patrimônio paroquial. O desenvolvimento da área urbana, fez com que os terrenos da paróquia passassem a ser paulatinamente ocupados por moradores advindos das mais variadas localidades do sertão baiano.

Dentre os diversos casos, destaca-se o que envolveu o Pe. Francisco Félix Pithon e o Senhor Pompílio de Miranda Brito e sua mulher Dona Maria de Brito Miranda. Como passagem  descrita no jornal “O Comércio de 14 de Dezembro de 1930”,

Aos vinte e quatro de outubro de 1930, nesta Villa de Poções, em meu cartório compareceu o Reverendíssimo  Senhor, Padre Francisco Felix Pithon, vigário desta freguesia e disse que de accordo com a sua petição retro, que fica fazendo parte integrante deste termo, vinha protestar como effectivamente protestado tinha contra a construção de um prédio nesta Villa à praça Luiz Vianna, pelo Senhor Pompilio de Miranda Britto, e sua mulher Dona Maria de Britto Miranda, em terrenos pertencentes ao patrimônio Parochial, sem o devido consentimento.  (O Comércio de 14 de Dezembro de 1930”,)

Dentre as obras mais importantes do referido pároco, destaca-se a luta pelo manutenção do patrimônio eclesiástico, bem como o empenho para a construção da nova Igreja Matriz da paróquia do Divino, cuja construção iniciara no período da administração do Pe. Pithon, sendo concluída apenas após seu falecimento. Na década de 40 do século XX, chega a cidade como administrador paroquial o Pe. Alberto Carneiro; sua passagem discreta pela cidade, no tocante à obras de relevância para a cidade, dá-se de forma premente pela importância do Pe. Pithon e pela influencia deste nos meios políticos e sociais, construída ao longo de sua história.

Seu trabalho foi desenvolvido veementemente na imensa zona rural da paróquia do Divino, que neste momento aglomerava as cidades de Ibicuí, Iguaí, Nova Canaã, Poções, Bom Jesus da Serra, Caetanos e Mirante. Tal exorbitância no que diz respeito à extensão do território atendido, aliado à idade já avançada do então Cônego Pithon, fez com que seus trabalhos ficassem concentrados nos ambiente periféricos da paróquia, na zona rural, mantendo viva a chama da cristandade nos territórios mais longínquos da paróquia. Com sua transferência para outra paróquia, assume seu posto como pároco de Poções o Pe. Honorato Nascimento de Andrade, que permaneceu na cidade até seu falecimento.

A Folha do Divino Espírito Santo em edição especial pelo aniversário de 10 anos de falecimento do monsenhor Honorato, trouxe como matéria de capa um breve histórico sobre a vida desse personagem ímpar na história da paróquia, não apenas pelo longo tempo em que coordenou as ações pastorais na cidade, mas também pela relação que tinha com as pessoas mais influentes da cidade. Segue a matéria de capa do Jornal Informativo da paróquia do Divino, editado em setembro de 2006.

Monsenhor Honorato Nascimento de Andrade nasceu em 11 de Novembro de 1908 em Jaguaquara-Ba , batizou-se e fez o primário naquela cidade. Daí partiu para Salvador , ingressando nos Seminários Menor e Maior do Velho de Santa Tereza, onde deu prosseguimento e concluiu seus estudos. Foi ordenado Diácono em 14 de Outubro de 1936 , sendo ordenado vigário em 29 de novembro do mesmo ano pelo então Bispo da Bahia D. Augusto Álvaro da Silva, na catedral Basílica de Salvador-Ba.    Logo ao ser ordenado foi nomeado Vigário cooperador do Cônego Pithon na Paróquia do Divino Espírito Santo de Poções. Em 1938 , com a criação da Paróquia de Ibicuí-Ba , foi designado para organizar a preparação e elevação deste , à condição de ginásio. Retornando a Poções , tomou posse como Vigário titular da Paróquia do Divino Espírito Santo em 14 de Abril de 1947 , em substituição ao Ex. Padre Alberto Carneiro.

Em junho de 1961 o Bispo Diocesano de Vitória da Conquista-Ba , D. Climério de Andrade concedeu-lhe o título de Monsenhor, como reconhecimento profícuo ao trabalho desenvolvido por ele em favor da Igreja, e concomitantemente foi agraciado pela comunidade de Poções com o título de Cidadão Poçoense e Capelão Honorário do TG 06 011. Por ocasião do Ano Santo (1975) Visitou Roma e Jerusalém . Dentre os diversos serviços prestados à nossa Paróquia, destaca-se a construção da Igreja Matriz, capelas do interior e Salão Paroquial em fase de conclusão, sem falar do Fecundo exemplo moral e zelo pela família Poçoense.

Sua vocação e carisma consagraram-o no coração das pessoas que tiveram o privilégio de ouvir seus ensinamentos . Vindo a falecer com 87 anos aos 06 de setembro de 1996 , nesta cidade. (Folha do Divino, Setembro de 2006)

Apesar do carinho dispensado ao Monsenhor Honorato pelos citadinos poçoenses, sua forma de administrar a paróquia  foi motivo de controvérsias entre os fiéis católicos da cidade. Seu jeito simples, aliado à idade já avançada, fez com que tal pároco não aderisse às alterações promovidas pela Igreja Católica no Concílio Vaticano II, estando por vezes aliado ao poder público e aos membros da elite poçoense. Segundo MORAES ( 2004 ),

Este padre era muito tradicional, levava a coordenação da paróquia sem intera-la do movimento de renovação católica. Era muito idoso e por isso não exercia muito controle sobre a festa ( do Divino ), principalmente no que diz respeito à parte considerada profana. Teve uma postura de alianças com as classes políticas locais, que se acostumaram com o seu jeito de levar a comunidade nos caminhos do cristianismo. ( MORAES 2004, pg. 56)

1.5 Padres Revolucionários despertam carismas na paróquia

A relação harmoniosa existente entre poder público e o clero na cidade foram fortemente abalada com a chegada do revolucionário Pe. Benedito Costa Soares em 03 de fevereiro de 1985. Influenciado pelos movimentos de renovação da igreja Católica, adepto da Teologia da Libertação e comungando das idéias da CNBB as quais estimulavam o senso crítico perante a realidade social, o Pe. Bené, como era conhecido, procurou em sua curta passagem pela paróquia do Divino, despertar os fiéis católicos para a realidade de injustiças à qual estavam submetidas.

A reação dos políticos da época foram imediatas; habituados a atitudes extremamente passivas do pe. Noratinho, as idéias propagadas pelo Pe. Benedito foram tidas como ameaças a ordem estabelecida por eles. A atitude de repúdio por parte do poder público, às inovações propostas pelo novo pároco, fica clara na transcrição de uma ata da câmara de vereadores de Poções, encontrada no Livro de Tombo da paróquia.

O maledeto que desfilou na procissão de calça jeans, camiseta e sacola de couro a tiracolo, teve a imbecilidade de chamar o andor do Divino Espírito Santo de “esta coisa”. O maledeto, certo dia na Igreja, arrancou das mãos de uma senhora, o seu terço, quebrando-o . O outro cidadão que chegou a Igreja no meio da missa, foi mandado de volta pelo maledeto (...). Vamos apelar ao senhor Bispo para que no próximo ano o padre que estiver aqui não interfira nas festas. ( MORAES apud Livro de Tombo pg. 48 e 49)

O descontentamento do poder público e das pessoas poderosas economicamente da cidade, trouxe para o Pe. Bené uma série de inconveniências. Ele mesmo descreve suas esperanças e dificuldades,

Observando bem está crescendo o numero de lugares da zona Rural que chegam para esses encontros. Resta-nos saber se está crescendo a consciência de cada um e o gosto pela libertação das amarras que muitos tem com os politiqueiros da cidade e do município. Tudo ocorreu, durante esta semana, sábado, domingo como de costume, sem alterações e sem mudanças substanciais. Continuam algumas reações ao trabalho da igreja na cidade e alguns pontos da zona rural, sendo os mais difíceis: Bom Jesus da Serra, Caetanos e Caldeirão que se ausentaram dos nossos encontros. Por trás disto, há sempre um “politiqueiro” querendo destruir e desfazer as atividades e a postura da Igreja na Região. ( Livro de Tombo, 1985)

Apesar do curto espaço de tempo em que ficou em Poções, 01 ano e 13 dias, o Pe. Benedito Soares plantou ideologias que floresceriam de modo próspero com os padres que viriam após sua saída da cidade. Aos 16 de fevereiro de 1986, o pe. Benedito Soares dá as boas vindas ao novo pároco de Poções, Pe. Valmir Neves Silva. Este, chega a cidade sabendo das dificuldades que iria encontrar; já em seu discurso de posse, deixa claro que não ofereceria privilégios a nenhum grupo político ou à famílias tradicionais da cidade.

O trabalho iniciado pelo Pe. Benedito Soares, principalmente no tocante à tentativa de desvencilhar a política das atividades eclesiásticas, teria no novo pároco um forte apreço. De pronto, os conflitos entre políticos e o administrador paroquial começaram; a tentativa do Pe. Valmir Neves em separar a festa do Divino efetivada na Igreja e a festa de largo que utiliza o nome do Titular da cidade para sua promoção, renderam longos e exaustivos conflitos na cidade.

Com o passar do tempo, paulatinamente os ânimos foram se acalmando, chegando à década de 90 com uma relação um tanto harmoniosa entre os poderes públicos e os membros do clero. No âmbito pastoral, a administração do Pe. Valmir Neves, destaca-se pela continuidade ao trabalho efetivado pelo Pe. Benedito Soares, fortalecendo os grupos advindos das CEB’s e envolvendo de forma premente, os jovens nos cuidados sociais da cidade. Durante quatorze anos, entre os anos 1986 e 2000, pe. Valmir fortificou as idéias propagadas pelo Pe. Bené, criando os pressupostos necessários para a efetivação dos projetos trazidos pelo novo pároco: Pe. Estevam Santos Silva Filho.

Um padre jovem, sofreu grande influencia do Pe. Bené, ao chegar em Poções vislumbrou as possibilidades de desenvolver os projetos deixados inacabados pelo seu antecessor,

Convivi com o Pe. Benedito durante 10 anos. Era um adolescente e observava a sua organização e visão de futuro. Ao chegar em Poções, junto com o Pe. Robinson, motivado pelo Projeto SINM da CNBB, percebi que o projeto do Pe. Bené estava atual. Verifiquei que o que ele plantou e pe. Valmir cultivou, havia produzido frutos que se encontravam maduros para uma nova experiência. (Sínodo paroquial 2001, pg. 02)

Como era de se esperar, a insegurança em torno das possíveis relações existentes entre a igreja e o poder público voltou à tona; no entanto, como descreve MORAES (2004),

“parece que o Pe. Estevam é mais cauteloso e tenta a separação entre o profano e o religioso, proposta pela Igreja, agindo sobre a consciência da população, com sermões que inspiram a reflexão, visando induzir a sensibilidade e a mentalidade religiosa”. Essa tendência diplomática do Pe. Estevam em conduzir os assuntos com os políticos, deixando evidente a separação entre Igreja e Estado, pode ser facilmente percebida no cotidiano da paróquia, onde nenhum laço com entidades públicas é permitida pelo pároco.

No âmbito pastoral, destaca-se a divisão da paróquia em Regiões Pastorais; atualmente são doze regiões, onde cristãos leigos assumem a responsabilidade de auxiliar o pároco nos trabalhos da Igreja. Tal divisão possibilitou maior engajamento dos leigos nos trabalhos pastorais, bem como o crescimento da participação da população nas comunidades criadas à partir das regiões pastorais.

A construção de capelas para atender as necessidades pastorais dos setores, constitui o grande projeto difusor dos ideais propostos pelo conselho vaticano II e pela CNBB, em consonância com os projetos oriundos do Pe. Benedito Soares na década de 80 do século XX. São atualmente 09 Capelas na zona urbana de Poções em fase de acabamento, além das várias construídas na zona rural.

A implementação de Pastorais para desenvolver projetos sociais como a Pastoral do Idoso, ou a Casa de Missão e Acolhimento, oriundas à partir da chegada do novo pároco, demonstram a incessante preocupação com o fator sociedade. A constituição de uma nova ordem religiosa Fraternidade dos Missionários Orantes da Sagrada Face, apontam para uma preocupação, também com a espiritualidade de seus paroquianos.

A paróquia do Divino Espírito Santo, conta atualmente com 12 Regiões pastorais, sendo 09( nove ) na zona urbana de Poções,  ( uma ) representando a zona rural de Poções; (uma ) sendo a cidade de Bom Jesus da Serra e  ( uma ) representando a cidade de Caetanos. São mais de 100 (cem) comunidades rurais espalhadas pelas três cidades, sendo assistidas semanalmente pelo pároco – Pe. Estevam Santos, e pelo vigário paroquial – Pe. Nilo Vicente, bem como pelos Diáconos Manoel Elias Sampaio e João Cambuí da Silva; pelas religiosas da Ordem das Irmãs Medianeiras da Paz e pela Fraternidade dos Missionários Orantes da Sagrada Face.

Percebe-se, que os paroquianos do Divino Espírito Santo, possuem uma grande identidade com os membros do Clero que passaram pela cidade; e todos contribuíram à sua maneira para construção da segunda paróquia mais antiga da Diocese de Vitória da Conquista. As relações conflituosas enfrentadas ao longo dos anos pelos párocos, convergiram para um maior esclarecimento das pessoas para o papel da Igreja e para o seu próprio papel dentro da sociedade.

Poções atualmente, bem como Bom Jesus da Serra e Caetanos, são cidades eminentemente católicas; méritos dos presbíteros que passaram por essa paróquia. A imensidão territorial da paróquia do Divino Espírito Santo só não é maior do que a fé de seus paroquianos ou a sabedoria, amor e devoção de seus párocos.

FONTES DOCUMENTAIS

· Folders e programações de festa;

· Inventário do Padre Manoel Mendes da Costa

· Jornal Diário Oficial de 18 e 19/05/2002;

· Jornal Folha do Divino – 10/09/2006

· Jornal O Comércio – 14/12/1930

· Livro de Tombo da paróquia do Divino

· Sínodo Diocesano da Paróquia do Divino Espírito Santo

· Testamento de Manoel Gonçalves da Costa

· Testamento de Bernardo Gonçalves da Costa

FONTES BIBLIOGRÁFICAS

MORAES, Mercia Coelho. O Sagrado e o profano: as comemorações para o Divino Espírito Santo em Poções - /ba (1980-2000). Trabalho de graduação (Graduação em História) Universidade do Estado da Bahia , UNEB, Santo Antonio de Jesus-Ba. 2004.

SOUSA, Manoel Alex da Silva e ALVES, Rhanes Souza. Ocupação da terra e pecuária no Arraial dos Poções no século XIX. Trabalho de graduação (Graduação em História) ´Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, UESB, Vitória da Conquista-Ba, 2002

TORRES, Tranquilino. O Município de dos Poções ( Anotações de Ruy Herman A . Medeiros). /vitória da Conquista; 1996 ( Museu Regional / Universidade Estadual do Sudeste da Bahia) 1996.


In. SOUSA E ALVES (2002). Cf. Testamento de Manoel Gonçalves da Costa. Arquivo do Fórum João Mangabeira, Vitória da Conquista (não catalogado). Caixa Diversos (1856).

In MORAES (2004), sobre a origem da devoção ao Espírito Santo no município de Poções.

In Moraes ( 2004 ). Transcrição feita pelo padre Valmir Neves Silva, 05/05/1985, Livro de Tombo, verso da p. 48 e p. 49

Livro de Tombo da Paróquia do Divino, escrito pelo padre Benedito Soares em sua vigésima oitava semana em Poções, 18 de agosto 1985.”

Pe. Estevam Santos S. Filho In. Sínodo Paroquial (2001 )