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Primeira Missa presidida pelo Pe. Washington Ribeiro: “sei em que pus a minha confiança”

washingtonribeiroNeste domingo (08), o Padre Washington Ribeiro celebrou sua primeira Missa na Igreja Matriz de Poções com a presença de Pe. Alessandro, seminaristas da Diocese de Jequié, familiares e amigos.

Confira abaixo a íntegra da homilia:

 

Meus irmãos e minhas irmãs nós podemos nos considerar benditos, bem-aventurados, porque Deus, na sua altíssima santidade, sabedoria, bondade, quis estar perto de nós. Este Deus onipotente, soberano, quis se fazer humanidade, quis se juntar a nossa fragilidade e a nossa fraqueza e assumir a nossa história, assumir a condição humana e ser para sempre no coração do mundo, no coração das pessoas, o Emanuel, o Deus Conosco. E Deus então, em Cristo Jesus, continua nos reunindo, como dissemos no início da celebração, de forma muito bonita: Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo.

Quem nos reúne é Ele, quem nos convoca é o próprio Deus a nos tornarmos Igreja e celebrarmos seu Filho Jesus. Celebrarmos no altar, a história que não ficará apenas no passado, mas uma história que se perpetua e que se torna o eternamente hoje na concretude do mundo. Por isso nós estamos aqui, viemos aqui para celebráramos Jesus, para celebrar a Eucaristia, celebrar como Igreja.

Por isso meus irmãos e minhas irmãs, nossa história marcada por tantas situações felizes, difíceis, nossos caminhos marcados por vales de lágrimas, por situações de aparentes desesperanças, nossa vidas de cada dia, essa é não apenas a nossa historia, não apenas o universo em que existimos sozinhos, mas esta historia que vivemos é a própria história de um homem chamado Jesus, verdadeiro Deus, verdadeiro humanidade e também história do verbo que se fez carne e veio habitar conosco. É hoje apresentado ao mundo, manifestado ao mundo, como luz para aqueles que vagam incertos pela sombra da morte, para todas as pessoas que se considerem por situações adversas distantes do projeto de Deus, separadas da graça de Deus e eis então, que nós podemos nos alegrar porque uma luz foi acesa para sempre no coração do mundo.

Uma luz brilhou para sempre nas trevas da humanidade e esta luz é tão poderosa que uma fagulha, uma faísca, é capaz de dissipar toda a escuridão, toda a treva. Esta luz, Jesus, se apresenta como sol nascente, como sol que não conhece o ocaso, como sol que não se põe, que não se declina sobre os nossos ressentimentos, nosso egoísmo, sobre as nossas práticas muitas vezes até anticristãs. Este sol nascente permanece na vida do mundo, abrindo seu coração e dispensando a cada um de nós os seus dons, as suas graça, por isso, como o profeta Isaias, podemos dizer na primeira leitura “levanta-te cidade de Poções porque uma luz brilhou na escuridão, porque uma luz não se deixou vencer pelas trevas do mundo”.

E, nessa dinâmica da epifania do Senhor, onde toda a liturgia que nós ouvimos seja da primeira leitura até o Evangelho, nos convida a observarmos, justamente, na centralidade litúrgica esta palavra, luz.

E um dia, Jesus disse para os discípulos: “vocês são a luz do mundo”. Nós sabemos que não somos luz coisa nenhuma, a luz é Ele mesmo. A luz do mundo é Jesus. Mas porque será que Cristo nos disse, vós sois a luz do mundo, vocês precisam iluminar o mundo? Todo cristão, todo batizado é chamado a interiorizar a luz de Cristo e ser Ele mesmo no mundo sinal do Cristo Salvador, sinal do Cristo Bom Pastor, sinal do Cristo que ilumina.

Por isso nossa missão é essa, onde nós estivermos, aonde chegarmos, nós precisamos iluminar a vida de alguém, nós precisamos iluminar situações, onde muitas vezes a desesperança tomou conta, nós somos chamados.

A vela que um dia recebemos no Batismo, muitos até ainda, de forma inconsciente, a vela que nossos padrinhos puseram em nossas mãos, esta vela foi apagada, esta vela muitas vezes já nem existe mais hoje, devido ao tempo que se passou, mas a vela que simboliza a luz de Cristo é muito mais forte, muito mais poderosa, do que apenas uma vela que se consumiu com o tempo. Esta luz que foi acesa em nosso Batismo, foi acesa não exteriormente, não fisicamente, mas acesas em nossos corações, acesa na vida de cada um de nós e por isso, essa luz jamais poderá ser apagada e nós precisamos nos esforçar ao máximo, para dando o máximo de cada um de nós, aquilo que cada árvore pode produzir no seu tempo, no seu ritmo, mas tendo sempre o cuidado, meus amados e minhas amadas, para que o pavio da chama que foi aceso nunca venha a se apagar.

Talvez, por nossa própria força, não consigamos isso sozinhos. Talvez pelos nossos esforços e méritos não consigamos. Mas, dizia o arauto exímio pregador do Evangelho, Santo Antonio de Pádua: “aquele que se deu por nós, Jesus, o Cristo, ele nos dará todas as coisas; tudo aquilo que nós precisamos, necessitamos, provém de suas mãos ricas, largas em ternura e misericórdia”. E é por isso que somos chamados a depositar em Cristo a nossa esperança.

O tema que escolhi para minha ordenação Presbiteral foi esse: “sei em que pus a minha confiança”. Quando nós colocamos a confiança no Senhor, temos a clareza e a convicção de que não sairemos decepcionados, de que o Senhor não seduzirá ninguém para enganar, para trapacear, isso são características muito próprias nossas que não deveriam ser assim, porque o amor que Jesus nos oferece  é altamente partilha, generosidade, doação. E um amor verdadeiro não conhece o egoísmo, divisões, rancor, porque o amor que vem de Deus desconhece todas essas coisas.

Por isso meus amados irmãos e irmãs, como luz que devemos ser no mundo, somos chamados, como os reis magos do Oriente, que no Evangelho de hoje caminharam em direção a Jesus guiados pela luz de uma estrela. A estrela ia a frente deles, mas ao mesmo tempo, a estrela que parecia iluminar a noite era apenas o reflexo de uma criança pobre, humilde, frágil. Esta criança iluminava o universo e aquela estrela que recebe também do menino Deus, nascido em Belém, dissipa sua claridade e sua luz para sempre conduzir alguém ao encontro de Cristo.

E é isso que nós somos chamados a ser, que somos chamados a viver e a experimentar, sermos também luz, capazes de apontar para o outro, levando ao encontro de Jesus como fez Maria, a Virgem Santíssima, façam o que ele vos disser, fazei tudo que Cristo vos disser, porque aquele que experimenta Jesus Cristo, aquele que contempla Jesus pobre, humilde, na manjedoura de Belém, este alguém jamais poderá retornar a tirania do ouro.

Quem viu Jesus nas palhas da manjedoura é chamado agora a fazer a dinâmica de um outro caminho, como fizeram os magos, percorrendo outros caminhos, isto se chama conversão. Conversão é mudança de vida, metanoia, mudança de coração, mudança de atitude. Quem experimentou Jesus na vida não pode ser a mesma pessoa, embora permaneçamos com a mesma identidade que somos, mas quem experimentou Jesus Cristo se revestiu de uma coisa nova, da armadura nova, se revestiu de Cristo Jesus, por isso, não permanecerá a mesma pessoa.

Então meus irmãos, cada dia da nossa vida somos chamados a experimentar isso, a andarmos por caminhos que muitas vezes poderão chocar com os caminhos que o mundo nos apresenta, com o caminho que o mundo coloca diante de nosso coração. Aí somos chamados a escolher, somos chamados a termos que exercitar a grande arte da decisão. Quando a gente pega uma estrada, vai estrada adentro, em determinado lugar, somos chamados sempre a observamos a sinalização, as curvas, tudo isso para que a gente chegue em segurança.

Tudo isso nos ajuda a caminharmos, a dirigirmos bem, pois então, se em determinado momento, errarmos a estrada, chegarmos a um lugar buscando informações e alguém disser para nós:

– Olha, a estrada que você pegou não te levará para onde você quer chegar.

– E não há atalhos, não existe outro modo?

– Não, não existe nenhum atalho, ou você volta para pegar a estrada certa ou você seguirá adiante e não chegará aonde quer chegar.

E aí então, a pessoa sensata para, volta, faz todo o caminho percorrido e encontra a estrada certa e chega aonde quer chegar. Isso é conversão, mudança de vida. Quando nós experimentamos Cristo, tomamos consciência de nossos pecados, paramos, refletimos e chegamos a conclusão: não dá mais para continuar, eu preciso parar, enxergar a luz, fitar a estrela de Belém, como os magos para que eu possa diante de Jesus Cristo dobrar os meus joelhos e adorá-lo, como os magos que apresentaram a Jesus, ouro, incenso  e mirra.

Talvez a gente se questione, o que tenho para apresentar a Jesus? O que eu vou ofertar a Cristo nesta noite?

Os magos levaram seus presentes. Os anjos dos céus, quando Jesus nasceu, apresentaram seu cântico. Até a terra desértica apresentou a Jesus uma gruta para que ele pudesse nascer. Todos não se apresentaram ao Senhor de mãos vazias. E nós? O que a nossa pobre humanidade pode oferecer a Deus? O que a nossa pobre humanidade pode oferecer a Cristo?

E vos digo irmãos e irmãs, eis que a nossa  humanidade fraca, miserável pobre, ofereceu a Deus uma mulher para ser a mãe de seu filho, para ser a mãe do Salvador. E, em Maria Santíssima, todos nós aqui nos sentimos representados, porque Deus quis nascer de uma mulher, Deus quis se fazer um de nós e assumiu a nossa fragilidade para alcançar para nós a porta da eternidade.

Por isso nesta epifania do Senhor possamos cada um de nós experimentar a luz do desejo, a luz do Cristo, a luz que dissipa as trevas, que vence o mundo, supera a discórdia e dá lugar a reconciliação.

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo.



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